28 ago Coordenadas de mim mesma

Na manhã do dia 24 de agosto foi decretado, no Congresso Internacional de Cartografia acontecido na cidade do Rio de Janeiro, o Ano Internacional do Mapa (2015 – 2016).

Sob o tema “We Love Maps” (Nós amamos mapas) as maiores autoridades da Cartografia Internacional discursaram sobre como os mapas estão hoje em posição de destaque em nossas vidas, através de aplicativos para celulares e computadores, indicando lugares, indicando rotas alternativas na tentativa de se chegar mais rápido ao destino, indicando onde estão nossos filhos, quanto tempo levamos para correr tantos quilômetros… enfim, a gama de possibilidades de uso é imensa.

Eu sei deste evento porque, como jornalista, fui escalada para cobri-lo.

Tudo que era falado sobre mapas, georeferenciamento e planejamento urbano para o desenvolvimento sustentável do futuro era mesmo interessantíssimo. No entanto, como talvez não pudesse deixar de ser, minha mente, lá pelas tantas, começou a divagar…

Pensei em tudo quanto é tipo de mapas… mapa rodoviário, mapa de navegação marítima, mapa de navegação aérea, mapa de constelações, mapa astral, mapa mental…

É… de fato I love maps…

“O mapa não é o território”, diz uma das premissas fundamentais da Programação Neurolinguística (PNL). Apreendemos a realidade através dos nossos sentidos e de uma infinidade de outros filtros (limitações fisiológicas, valores morais e religiosos, preconceitos, crenças e crenças limitantes, motivação, capacidade de retenção da informação… e por aí vai…) que acabam por estruturar um mundo que tomamos por real, mas que não passa de uma leitura singular da realidade.

Todos vemos a obra, mas cada um lhe atribui um significado que é único.

Às vezes, falado assim, solto, “o mapa não é o território” pode dar uma ideia de comparação, na qual o mapa pode parecer apenas uma sugestão falha e capenga do território, sendo este último maior, mais completo e mais relevante.

Por um lado, é verdade. A realidade sempre será maior, mais complexa e diversificada do que sua leitura. É humanamente impossível absorver o mundo em sua totalidade. Não suportaríamos. Não temos capacidade física, nem mental, nem psicológica para tanto.

Por outro, embora a realidade esteja de certa forma apartada da nossa interpretação, é o mapa que estruturamos que nos guia. É o nosso mapa da vida, limitado e falho, que baseia nossas escolhas, nosso juízo de valor, nossas decisões. Assim, como não dar-lhe toda sua relevância?

Filosofamos sobre quem somos, de onde viemos, onde estamos e para onde vamos. Compreender estas esferas de consciência demanda pensar em termos de tempo e espaço. Demanda a construção de mapas mentais acerca do mundo, de nós mesmos e de nossas histórias.

Traçamos nossa linha do tempo, nosso mapa de vida que perpassa os anos e outras vidas – as que cruzam pelas nossas vidas.

Falar de nós mesmos é olhar para nosso passado, usar nosso sistema de georeferenciamento interior e pontuar marcos pelo caminho que trilhamos na esperança de que estes balizem nossa passagem.

Queremos ver nosso Mapa da Vida à nossa frente. Não falo ainda “à nossa frente” para me referir ao futuro. Não! “À nossa frente”, aqui, significa olhar para nossa vida inteira até os dias atuais de forma dissociada. Como se víssemos toda nossa existência numa tela de cinema.

De onde eu saí. De onde eu vim. Por onde andei, que escolhas eu fiz. Como cheguei até aqui.

Então, compreendendo todo o percurso, automaticamente elenco meus pontos fortes, minhas fraquezas, as oportunidades que pude aproveitar, as que deixei passar… vejo as ameaças das quais escapei (por estar preparada ou por pura sorte)… E, de quebra, me sinto confiante para olhar – agora sim! – à diante, para frente. Para o meu futuro.

Planejar o que virá exige isso. Exige essa viagem no meu tempo para estar plenamente em mim.

Eu me mapeio.

E se a mudança bate à porta como uma súplica, ou como uma condição sine qua non para prosseguir a vida, cá estou eu com uma bela e grande folha quadriculada pronta para ser dimensionada. Para receber as novas coordenadas que me levarão à diante. Para o futuro da minha própria história.

Somos todos assim: autores de nossas histórias, viajantes do tempo e do espaço. Cartógrafos natos que singram os mares da existência.

Não sou diferente. Sigo meus rumos, hasteio minhas velas e tenho minha bússola sempre à mão. Não perco de vista o porto de onde vim e vou à diante, guiada pelas coordenadas que existem em mim.

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